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#MuseMonth: Clarissa Ribeiro



Clarissa Ribeiro é uma fotógrafa recifense que desenvolveu desde cedo o gosto pelas artes e audiovisual.

Ao longo dos anos explorou e expandiu suas habilidades fotográficas trabalhando em diversos projetos e marcas locais. Através de sua lente ela expõe sua paixão pelo cinema, moda e arte, adicionando um toque vintage em suas fotos e genuinidade ao processo.





Como você acabou fazendo o que faz?


Tudo começou após concluir a faculdade e bater aquele desespero - tenho que arranjar um emprego! Hahaha. Acabei fazendo uma pós em Estudos Cinematográficos (um sonho) logo após me formar e que muito estimulava a gente a botar a mão na massa! Eu saía da Unicap sempre na vontade de colocar meu sonho, de trabalhar com audiovisual, em prática.


Nesse momento, surgiu a oportunidade de virar Microempreendedor Individual e prestar serviços como assistente de produção para a Tangram Cultural - produtora local de Recife, que realiza e executa projetos culturais de patrimônio, pesquisa e formação. Com a Tangram e a cultura rica que Recife - Pernambuco tem, me descobri realizada na área de produzir localmente, através de muita arte e trabalhos maravilhosos! Acabei por me cadastrar também como produtora cultural no Funcultura e juntei nesse trabalho duas áreas que amo imensamente. Enquanto assistente, eu também fazia bico de fotógrafa dos making offs de shows, exposições e espetáculos e o processo de fotógrafa fluiu até chegar o momento de criar um nome, um espaço para divulgar esses trabalhos - surge a menina da câmera!


De lá pra cá, chegou a hora de correr atrás de trabalhos na fotografia, além dos que vinham dos projetos culturais - o lado ascendente geminiano inquieto e a terapia ajudaram bastante a construir esse caminho. Nunca imaginei que meu primeiro job seria em parceria com a Akomb! Em troca de figurino para um ensaio artístico meu, elas me chamaram pra cobrir o evento de abertura da coleção Girls Generation! Daí conheci a fotógrafa Flora Negri, blogueiras com as quais trabalho até hoje, espaços colaborativos e muuuitos contatos incríveis na área da moda recifense! É aquela história de que é preciso meter a cara para construir seu caminho profissional, sabendo que você pode contar com pessoas incríveis, sem medo de errar.


Até hoje procuro trabalhar/aprender/colaborar mais no audiovisual com foco na produção local, principalmente na área de moda e cultura. E sim, ainda continuo prestando serviços à Tangram e aos projetos culturais e sociais. :)


Como você se apaixonou por fotografia?


Acho que a paixão vem desde pequena - sou daquelas que passa horas vendo álbum de fotos antigas, de viagens que fiz relembrando os bons tempos, bem como aquela que adora registrar tu-do! Ganhei minha primeira pixel sony aos 15 e registrava tudo que tinha direito! Aos 21, comprei minha primeira profissional Canon e cobria bastante as reuniões e viagens familiares. Também acho que esse amor veio do cinema e da arte. Adoro me deleitar em filmes e detalhes cinematográficos que tiram o fôlego, que proporcionam a arte de criar beleza, felicidade genuínas, reais. Adoro qualquer imagem, seja congelada ou movimentada, que nos deixam feliz.


Na adolescência foi quando passei a observar melhor as produções audiovisuais e a querer fazer aquilo, pro resto da minha vida. Acompanhava diária e incansavelmente os canais de música (zappeava religiosamente entre o VH1, outro canal que só passava videoclipe das trilha sonora de filme!, a MTV); assistia a filmes que sabia de cor e salteado, acompanhei fotologs nas áreas vagas, tumblr e então, com a chegada do Instagram, achei meu cantinho predileto pra admirar fotos do mundo inteiro e me inspirar!


Olhando para o lado profissional, a gente transforma a paixão em vontade de crescer para se realizar nela. Todo dia, todo trabalho é um momento de aprender a construir e nutrir esse amor pela fotografia.


Conte-nos um pouco sobre a visão e a ideia por trás do seu trabalho.


Além da fotografia, acredito muito na troca entre pessoas do mundo inteiro, seja através de olhares, encontros, cultura e principalmente, da arte. Admiro e procuro bastante praticar a fotografia afetiva, que é aquela que coloca a sensibilidade, o amor em tudo o que você faz, empaticamente.


Quando a gente planta um pouquinho de alegria na vida de alguém, e consequentemente, compreensão pelo que a outra pessoa sente e deseja, o retorno é aquela energia boa que proporciona um relacionamento saudável entre as duas partes (seja no campo pessoal ou profissional). É importantíssimo ter esse compromisso responsável de fazer o melhor através de seu trabalho, pensando em superar as expectativas do cliente e as suas.


E se for pra descrever a ideia por trás da a menina da câmera, uso sempre a frase (agora slogan) que uma amiga/cliente teve a sensibilidade de perceber: uma delicadeza por clique - e acrescento, por experiência!


Como e onde você encontra inspiração?


Busco colocar tudo que vivo, convívio e experiências que me acrescentam positiva e diariamente, expressado da melhor maneira através do meu trabalho. Quando faço o que gosto bastante, seja ir a uma exposição de arte, sair pra tomar um café, escutar uma música, conhecer e entender um pouquinho da vasta expressão cultural histórica que tenho pertinho de mim… até mesmo ficar offline: ler um livro em casa, assistir filme, reservar um tempinho só pra me dedicar às coisas com as quais me sinto bem fazendo ou às pessoas que amo. De tudo feito com amor, a inspiração sempre vem!


A intuição desempenha um papel significativo no seu processo criativo?


Sim! Pra mim, tem se tornado bem importante mexer além do modo manual da câmera (digo o colocar a mão na massa em demais áreas, hobbies e afins), o que traz muita intuição no processo criativo. O pensar fora da tela é real e efetivo!


De um tempo pra cá, venho percebendo que mesmo que quem nasce “criativo”, precisa exercitar a criatividade dia após dia, seja no meio online ou offline. Assim como é citado em um livro que gosto muito, chamado “Steal Like an Artist”, nada criado é original, porém somos um mash-up da “árvore genealógica” de ideias, referências e inspirações que acumulamos ao longo de nossas vidas. O que fazemos a partir disso, pode se tornar original e a intuição é aquele estalo que vem desse exercício constante. Por exemplo, se eu gosto de música X da minha playlist que não sai da minha cabeça, pode ter certeza que um dia ela vai aparecer intuitivamente no processo criativo, enquanto faço pesquisas, leituras ou produção de ensaios fotográficos.


"Além da fotografia, acredito muito na troca entre pessoas do mundo inteiro, seja através de olhares, encontros, cultura e principalmente, da arte."

Você pode nos contar sobre uma recente viagem que deixou você se sentindo inspirado?


Recentemente, passei pela experiência de morar fora do país e é bastante diferente de viajar a turismo. Graças ao universo, tive bastante oportunidade de conhecer o mundo, mas essa experiência mais recente saiu positivamente das expectativas - melhor ainda, quando compartilhada com quem a gente ama. Enquanto buscava inspiração para projetos, fotografias e afins nesse tempo, acabou que essa nova etapa trouxe ainda mais inspiração para o lado pessoal.


Até por Boston, sair do roteiro de casa é sempre incrível e o que me marcou mais foram as viagens por Nova York e a Califórnia - eram as mais esperadas, tanto pelo alto astral receptivo e o calor, que fizeram da experiência a mais agradável possível! Me senti realizada e pertencente a tudo e tanto. Impossível não se inspirar andando pela Big Apple de cabo a rabo, quase sem sentir direito os pés, encantada pelo mix de culturas/expressões mil!


Também impossível não se inspirar nas cores e fervorosidade glamourosa da Califórnia, enquanto a gente passeia pelo Pier 39, do Fisherman’s Wharf em San Francisco. Em plena Segunda-feira, a cidade é uma festa! E eu não parei de admirar e fotografar, enquanto perdida na animação, do Pier de Santa Mônica e de Los Angeles. Na passada rápida que fizemos pelas redondezas da Califórnia, me apaixonei por San Luis Obispo (e eu influenciei nossa ida só porque é a cidade de Zac Efron! Juro! hahaha!) e Exeter, onde fica o Sequoia Park, vulgo um bálsamo de contato com a natureza muito necessário!


As redondezas por Boston - New England, Maine, Portland, Pensilvânia, New Hope, Cape Cod… trouxeram muita inspiração de novos hábitos, aventuras, história pra contar. E a gente se sentia em casa. Excepcionalmente, a experiência sempre é inesquecível quando todos os locais proporcionam e inspiram muitas programações gratuitas de qualidade; incentivo à cultura, à valorização do que a cidade tem (parques, ambientes, estruturas)!


Acredito que as trocas que acontecem pelo mundo agregam muito valor essencial para quem somos e no que nos tornamos, e com toda certeza eu escreveria um livro sobre isso daqui!


Você pode nos dizer 5 coisas que fariam o seu dia ideal?


O dia ideal da camera girl não seria ideal sem um filme dos 1980s, a família e o love, isso é fato! No meio,teria passeio pelo Recife Antigo ou pelo Poço da Panela, tomar um cafézinho e/ou um rodízio de Sushi. Libriana ama fazer tudo e é bem social, então foram mais de cinco!

Trabalhar para si mesmo pode ser assustador. Nós conte mais sobre como é a experiência de ser tornar uma fotógrafa independente.


É um processo árduo, mas muito gratificante. Empreender onde a corda do mercado é bamba é uma escolha que ou você faz pra mergulhar na fé ou para procurar um plano B. Tem quem consiga equilibrar o empreendimento com outra alternativa, mas o amor que temos pelo que trabalhamos move tudo - planejamentos, projetos, networking (indispensável!) e sempre, sempre foco no aprendizado e no aprimoramento diário.


Gostaria de deixar uma dica fundamental, que aprendi ao longo desse processo: concentrar no profissionalismo e no correr atrás pra não ficar parada. Agora, na geração social media e algorítmica, não dependa só do online. Empreender é sempre estar em movimento em todas as plataformas, caso se goste bastante de dinamismo e sair da rotina! É muita adrenalina!


Qual é o seu relacionamento com a moda?


Desde que me entendo de gente (e libriana), me relaciono com a moda “reutilizável”. Comecei aos 3 a produzir mini-desfiles, com as peças do guarda roupa de minha mãe (e a gente compartilha roupas até hoje). Na adolescência, me apaixonei pela autenticidade dos editoriais e dicas de customização de roupas pela revista Smack; Passei a ler sites e revista de moda uma boa parte da minha vida.


Cheguei um momento a achar que, através desse gosto de acompanhar revistas, blogs e sites, eu teria que seguir tendências, ideias ditadas e sempre comprar roupa. Hoje, a gente olha para o “ser”, entendendo que tendência a gente é quem faz, com nossos gostos e preferências, principalmente quando passamos a conhecer melhor o processo por trás do mundo da moda.


Tenho orgulho de chegar atualmente a um ponto mais próximo à moda sustentável: o preferir passar horas descobrindo quantas combinações posso fazer com uma peça antiga minha ou achada num brechó, do que comprar uma roupa novíssima de uma marca do shopping, sendo ela denunciada por praticar trabalho escravo ou que não é 100% fiel à ideia de moda reutilizável.


Graças ao meu trabalho, às convivências reais com a moda local/espaços colaborativos de Recife e ao meu gosto por peças vintages, minha relação com o fashion e com os hábitos sustentáveis em qualquer área, reflete no vestir o mais consciente e autêntico possível. E eu busco sempre me atualizar, através de fontes confiáveis, a melhor forma de fazê-la. Segundo dados estatísticos, se não me engano em 2023, ⅔ da população mundial terá guarda-roupa só composto por roupas usadas. Sem sombra de dúvidas estarei nessa parcela!


Quem é / são sua maior inspiração de moda?


Me inspiro e admiro Audrey Hepburn muito além de seu bom gosto por moda, mas minha inspiração de moda é a rua, minhas viagens, livros de moda retrô… e principalmente, minha mãe (temos gostos muito parecidos e eu amo isso! hahaha).


Como você relaciona moda e fotografia?


No começo da menina da câmera, busquei agregar fotografia e moda somente olhando pelo lado criativo - inspirado em arte, dança, música… todo tipo de expressão artística. Como produzir, quanto concretizar esse trabalho me traz realização plena, e ao longo do meu processo de fotógrafa e do gosto por moda, como expliquei anteriormente, eu quis aprender mais o trabalhar com a área da moda local (e isso desde as experiências como produtora cultural). Conforme surgiam oportunidades de me aperfeiçoar, fiz um curso de foto de Moda no Marco Pernambucano de Moda, fantástico (onde graças a ele conheci a Trekantx!), que ampliou o leque de possibilidades, técnicas e criatividade além do que eu conhecia.


Agora, em Boston, aprimorei mais as técnicas e propostas em retrato criativo, inseridos no tipo de fotografia que curto bastante trabalhar na moda. Quase sem perceber, foto e moda estão ambas caminhando de mãos dadas com a menina da câmera, trabalho após trabalho. São duas parceiras inseparáveis, que aprendem muito uma com a outra. E espero que elas continuem assim pelo resto dos meus projetos!


Clarissa Ribeiro veste Pink Cotton Top e Fiona Dress

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Conheça mais o trabalho da menina da câmera: @ameninadacamera

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