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#MuseMonth: Lucie Salgado





Luciana Salgado (Lucie Salgado; n. 1993) é uma artista autodidata Recifense, atualmente residindo na cidade de Curitiba. Caracterizada por extremos, sua obra varia entre o delicado e monocromático realismo dos seus desenhos figurativos e a explosão de cores, texturas, e formas de suas pinturas abstratas. Apesar de divergirem visualmente, estas obras revelam-se uma expressão una de uma sensibilidade fora do comum, que por vezes a faz escrutinar o mundo que a cerca, e por outras, a força a recorrer ao escapismo.







Como você acabou fazendo o que faz?

Não faço ideia! Parece piada, mas não é – não completamente. De certa forma, sinto como se fosse não algo que acabei fazendo, mas algo que sempre fiz de uma maneira ou de outra. Lembro-me que adorava estar em casa desenhando ou pintando ou fazendo colagens quando criança... Honestamente, não consigo me recordar de nenhum momento em que eu não fazia nada relacionado à expressão artística. Mas suponho que poderia dizer que comecei a considerar este caminho como uma opção de carreira depois que algumas pessoas vieram até mim perguntando se poderiam comprar meus desenhos. Foi quando me dei conta de que poderia construir algo através disso. Acho que com o tempo, me dedicar exclusivamente a isso me pareceu uma escolha natural a se fazer.


Conte-nos um pouco sobre a visão e a ideia por trás do seu trabalho.

Quando decidi denominar a mim mesma de Artista, eu quis ter certeza de que eu realmente compreendia o que aquilo significava – não tanto para os outros, mas para mim mesma. Imaginava que deveria existir um propósito para aquilo que eu estava fazendo, e eu precisava de um propósito que fosse maior do que simplesmente criar imagens interessantes e esteticamente agradáveis. Sempre tive a sensação de que havia algo que eu buscava, algo que eu tentava alcançar através da arte, e tive de mergulhar por um longo período em introspecção, autoanálise e autodescoberta até ser capaz de entender o que criar significava para mim e por que eu o fazia. Hoje, suspeito que o que me motiva a criar, ou o que busco alcançar através da prática artística, são duas coisas: unidade e compreensão. Poderia dizer que a visão por trás do meu trabalho é simplesmente essa – uma busca interna por unidade e compreensão profunda. Em outras palavras, busco alcançar um estado de perfeita unidade comigo mesma, com os outros, com a natureza, a vida, o universo; e através disto, aprofundo meu entendimento sobre tudo o que há.

Que mensagem você espera que seu projeto envie para as pessoas?

Mais uma vez, a resposta é a unidade. Sinto que o caminho para a unidade é pavimentado por três coisas, que são a harmonia, a beleza, e por mais clichê que pareça, o amor. Se desenho ou pinto algo, tento me fazer ver, sentir, e de alguma forma manifestar estas três coisas para que assim eu possa me tornar una com aquilo através do qual eu crio. Sinto que só assim podemos compreender a nós mesmos, os outros, o mundo, e é isso que eu espero que as pessoas alcancem através das minhas obras. Eu espero as fazer ver e sentir estas coisas por si; fazê-las conscientes, de uma forma ou de outra, desta sutil conexão que torna tudo o que há uma só coisa.






"Criar é quase como que uma busca para mim, e quando eu estou engajada nesta busca, qualquer coisa pode me inspirar a criar "







Como e onde você encontra inspiração?

Inspiração é algo que se apresenta de várias maneiras para mim; a busco e encontro nos lugares mais diversos e inusitados, e isso torna um pouco difícil responder esta pergunta com objetividade. O que eu posso dizer é que na minha prática, inspiração está profundamente relacionada à solução de problemas. Como mencionei antes, criar é quase como que uma busca para mim, e quando eu estou engajada nesta busca, qualquer coisa pode me inspirar a criar. Já fiz desenhos e pinturas que foram inspiradas em sonhos, imagens, letras de música, ideias abstratas, experiências vividas e imaginadas – a lista é grande. Se há algo que busco aprender ou descobrir, absolutamente tudo pode oferecer uma pista ou uma resposta, e é isso o que eu chamo de encontrar inspiração – simplesmente encontrar coisas que me apontem às respostas que busco.


O que você tem escutado recentemente?

Cocteau Twins, Hannah Peel, Erland Cooper, e um pouco de TR/ST aqui e ali. A música que mais tenho escutado no repeat ultimamente é White Sun de JFDR.


A intuição desempenha um papel significativo no seu processo criativo?

Com certeza, e de várias formas. Aprendi a desenhar e a pintar por conta própria, e isso significa que muito do que produzo é feito de maneira puramente intuitiva. Saber o que fazer e como o fazer é algo que muito frequentemente descubro através de experimentação e prática, e isso torna todo o processo bastante instintivo e intuitivo.


2019, London. Luciana Salgado

Quando você está se sentindo bloqueado ou sobrecarregado de maneira criativa, como se conecta a si mesmo?

Meditar e dormir me ajuda bastante. Se necessito me sentir mais centrada e relaxada, desconectar de estímulos externos é mais que essencial.


Trabalhar para si mesmo é assustador. Nós conte mais sobre como é a experiência de ser tornar um artista independente.


Acho que a parte mais assustadora é tomar essa decisão. Para minha sorte, eu não considerei, de fato, muitas outras opções, o que tornou esta uma escolha bem óbvia e fácil. Se manter firme nesta decisão, entretanto, requer muita coragem, e eu particularmente acho que isso é o que define seu sucesso. Sinto que grande parte das pessoas entendem o sucesso como alcançar uma certa estabilidade e não enfrentar nenhum tipo de dificuldade, mas posso dizer por experiência própria que dificuldades são parte do processo e que se você realmente se importa com o que você faz, você continua caminhando, e é isso que te torna um sucesso. Eu estou bem longe de ser a artista que idealizo ser, mas me considero bem-sucedida pelo simples fato de continuar fazendo o que faço independentemente de qualquer adversidade que possa surgir em meu caminho. Continuo tentando, continuo seguindo em frente, e contanto que eu continue caminhando, sei que chegarei a algum lugar. Isso é tudo o que importa para mim – saber que estou caminhando em direção a algo com tudo isso.




Qual é o seu relacionamento com a moda?

Eu amo o lado mais artístico da moda e sou completamente apaixonada pela produção fotográfica deste meio, mas pessoalmente sou bem simples e minimalista quando o assunto é escolher o que vestir.


Quem é / são sua maior inspiração de moda?

Elvira.


Lucie Salgado veste um custom-made Liberty Jumpsuit

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Conheça mais do trabalho de Lucie Salgado // @luciesalgado


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